A sensação de frio que subiu pelos braços de Ayla no instante em que tocou as mãos de Evan Marsh não parecia vir do ambiente, mas de um lugar geométrico e distante. Era uma temperatura mineral, o tipo de gelo que se acumula no fundo de poços desativados onde a luz solar nunca encontrou caminho. Sob as palmas de suas mãos, a pele do garoto estremeceu, um ritmo irregular que lembrava o bater de asas de um inseto preso sob um vidro.Cael não hesitou. Com um movimento preciso, ele aproximou a lâmina de prata do pulso esquerdo de Evan, exatamente onde a pele se mostrava ligeiramente mais fina e translúcida devido à presença oculta do fragmento. O corte foi curto, uma linha fina que demorou um segundo inteiro para se preencher de vermelho. O sangue que brotou dali, no entanto, não seguiu o fluxo natural da gravidade; ele se acumulou em uma esfera perfeita sobre o ferimento, vibrando na mesma frequência dissonante que Ayla sentia em sua mente.— Agora — murmurou Cael, a voz soando abafada, c
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