Eu não consegui fingir normal depois do bilhete. Andei pela fazenda com o papel rasgado no bolso como se carregasse um prego quente, e o pior não foi a frase em si, nem a audácia de alguém entrar ali e deixar recado, foi a sensação de que, se eu tentasse resolver aquilo do meu jeito, eu ia fazer exatamente o que esse desgraçado queria: virar um animal cego, bater primeiro, pensar depois, errar o alvo e dar a ele a vantagem de me transformar no vilão de uma história que ele já estava escrevendo. Eu já tinha feito isso uma vez, quando perdi a compostura no pátio por causa de um funcionário falando alto com a Manuela, e a lembrança voltou inteira, me lembrando que meu corpo reagia antes do meu cérebro, e que raiva sem estratégia não protegia ninguém, só expunha.Eu também não consegui ignorar o rosto dela quando leu. O medo não apareceu como teatro, apareceu como algo antigo, íntimo, um tipo de pavor que não nasce do nada, e que não combina com a frase “não é nada” que ela insistia em us
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