Dez anos tinham passado, não como passam os anos nas histórias apressadas, em que o tempo salta de página em página sem deixar marcas reais. Tinham passado como a vida passa quando é vivida até o fim: com pressa em alguns dias, com lentidão em outros, com noites longas, manhãs caóticas, filhos adoecendo de repente, adolescentes achando que já sabem tudo, risadas no meio da cozinha, contas, trabalho, pequenos sustos, grandes alegrias, viagens adiadas, jantares remarcados e aquele amor que, quando é de verdade, aprende a sobreviver não só ao extraordinário, mas também ao comum.Talvez fosse essa a forma mais bonita de vencer.Não sobreviver à guerra. Não vencer os inimigos. Não sair ileso da dor.Mas chegar ao depois.E o depois, naquela noite, tinha cheiro de grama úmida, comida boa, risada de criança e céu tingido de dourado.A casa à beira do lago estava viva.Não apenas ocupada. Viva.As luzes da varanda já começavam a se acender uma a uma, dourando a madeira clara, os vasos de flor
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