Matteo avançou alguns passos sem pressa, mas com o corpo visivelmente rígido, o rosto cansado e o olhar que evitava permanecer demasiado tempo em qualquer ponto fixo da casa. Não tinha dormido. Ou, se tinha, o corpo não tinha descansado. Giovanni estava na sala. Sentado, postura impecável, mãos apoiadas com calma controlada, como se estivesse à espera há muito mais tempo do que aquela manhã justificava. O olhar dele não procurou surpresa nem confirmação; apenas avaliação. — Chegaste cedo — disse, sem levantar a voz. Matteo passou a mão pelo cabelo, como se o gesto pudesse organizar algo dentro dele. — Não dormi. — Eu sei. A resposta foi imediata, sem emoção aparente, mas carregada de uma certeza que irritava mais do que uma acusação direta. O silêncio instalou-se. Matteo deu mais dois passos, como se pudesse simplesmente atravessar aquela conversa, mas a voz do pai travou-o antes disso. — Matteo. Ele parou. Não virou logo. Quando virou, o olhar já estava fechado, defensivo. —
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