O amanhecer chegou sem pressa.A luz entrou pela fresta da cortina em tom baixo, dourado, desenhando linhas suaves sobre o quarto ainda desorganizado. O mundo parecia distante demais para exigir qualquer reação imediata.Camille acordou primeiro.Estava de lado, o rosto apoiado no peito de Adam, o braço dele pesado e quente ao redor da cintura, mantendo-a ali mesmo enquanto dormia. A respiração dele era profunda, tranquila, um contraste absoluto com os meses de tensão que haviam vivido.Ela permaneceu imóvel por alguns segundos.Não por medo de acordá-lo. Mas porque aquele momento era raro demais para ser interrompido.O corpo ainda carregava a memória da noite: o calor, a intensidade, a certeza. Não havia arrependimento ali. Havia clareza. E isso, mais do que qualquer coisa, a assustava.Adam se mexeu levemente, apertando-a mais contra si, como se mesmo dormindo se recusasse a deixá-la ir.— Ainda aqui — murmurou, a voz rouca, sem abrir os olhos.Camille sorriu, discreta.— Claro.
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