Nada foi dito em voz alta, mas todos sentiram.Não foi um acontecimento isolado, nem um presságio claro. Foi um ajuste lento, quase invisível, como quando o corpo reaprende a respirar depois de uma longa contenção. O vale não mudou de forma, mas mudou de ritmo. As árvores continuaram no mesmo lugar, o rio seguiu seu curso antigo, a ponte permaneceu onde sempre esteve — e ainda assim, algo havia se deslocado para sempre.Eles continuaram vivendo.Essa foi, talvez, a parte mais difícil de compreender. Depois de tudo o que fora enfrentado, o mundo não exigiu heroísmo tardio, nem sacrifícios finais, nem gestos grandiosos que pudessem ser transformados em narrativa épica. Não houve aclamação nem punição exemplar. Houve apenas continuidade. E foi justamente nisso que se revelou a verdadeira prova.Helena percebeu primeiro.Não em pensamento organizado, nem em reflexão consciente, mas no corpo. Em como passou a acordar antes do sol, não por inquietação, mas por atenção. Em como seus pés toca
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