MiaEstou ajoelhada no jardim agora, embora não me lembre de ter decidido me ajoelhar. Em um momento estava parada na borda olhando para a grama alta demais, e no próximo meus joelhos estão pressionados contra a terra.A sujeira embaixo das unhas. Não percebo acontecendo. Penso em como vou ter que esfregar depois com a escova de unhas, a de cabo de madeira que fica perto da pia da cozinha.As mãos sabem o que fazer — envolve o caule o mais perto possível da base, sente a resistência, puxa direto para cima ou cava mais fundo se não vier. É memória muscular de anos ajudando a Mamãe nesse jardim.Os dentes-de-leão saem com suas raízes compridas e grossas, o tipo que desce para sempre, procurando água na seca. Às vezes se partem no meio e consigo sentir o estalo nos dedos, aquela pequena violência vegetal.A grama daninha é mais difícil — aquelas raízes rasas que parecem se estender para sempre, cada touceira revelando mais, como puxar um fio e descobrir que está ligado a toda uma tei
Leer más