POV de EnzoO ponteiro de segundos do relógio de parede no meu escritório da clínica privada avançava com uma lentidão insultante, marcando o ritmo da minha vitória. O cheiro de antisséptico e couro novo me reconfortava; era o cheiro da ordem restaurada. Meu ombro latejava, lembrando-me de que a traição tem um preço físico, mas ver Lila sentada no sofá da esquina, folheando um livro de histórias como se fosse um domingo comum, fazia cada punhalada valer a pena.—Quer mais suco, pequena? —perguntei, suavizando a voz até soar quase humana.Lila me olhou. Ela tem os olhos da mãe, mas há uma faísca da minha frieza no fundo das pupilas. Não estava com medo. Os Hereza não temem a escuridão; nós a habitamos.—Quero a mamãe —respondeu, fechando o livro com um estalo seco.—Mamãe está a caminho. Só precisa entregar um pacote importante —sorri, recostando-me na cadeira.Marcello entrou na sala, movendo-se com a eficiência silenciosa de um espectro. Ele se inclinou para meu ouvido, seu hálito ch
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