POV SELINDepois que a mamãe parou de chorar, a casa voltou a respirar devagar.Não normal. Como quando a gente quebra um brinquedo e tenta montar de novo fingindo que está tudo bem.— Vamos fazer o jantar — ela disse, batendo palmas uma vez só, daquele jeito que usa quando quer ser forte.Eu e Selina nos entreolhamos. Esse era o sinal.Fomos pra cozinha.Ela me deu a missão de lavar o arroz. Selina ficou responsável por separar os legumes, o que na prática significava brincar com as cenouras como se fossem bonecos. A mamãe não brigou. Hoje, ela deixou.— Selin, vê se a água tá clara — ela disse.Eu olhei sério pro arroz, como se aquilo fosse um problema importante do mundo.— Ainda não — respondi. — Tem que lavar mais uma vez.Ela sorriu de leve. Um sorriso pequeno, cansado, mas verdadeiro. Esses são os que eu mais gosto.Enquanto o arroz cozinhava, Selina perguntou se podia mexer a panela. A mamãe deixou, segurando a mão dela por cima. Eu fiquei observando as duas. Pensei que, se al
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