POV LIANNA Eu fiquei sentada na cadeira da minha sala por um tempo que não sei medir. O hospital continuava vivo do lado de fora, passos apressados, vozes baixas, o som distante de um carrinho de medicamentos passando pelo corredor. Mas ali dentro, tudo estava suspenso. Como se o mundo tivesse apertado o botão de pausa só pra me deixar sentir. Meu pai sempre soube onde atingir. Não com gritos. Não com insultos. Mas com ausência. E, ainda assim, conseguiu me fazer sentir culpada por ter sobrevivido sem ele. Levantei devagar. Minhas pernas pareciam pesadas, como se eu tivesse corrido quilômetros. Peguei minha bolsa, chequei o celular por reflexo, nenhuma mensagem de Adrian. Provavelmente ainda no hospital, resolvendo algo. Melhor assim. Eu precisava de alguns minutos sozinha para recompor o que meu pai tinha revirado. Ou pelo menos tentar. Quando saí do prédio, o céu já estava escuro. As luzes de Genebra refletiam no asfalto molhado, e por um segundo eu pensei no quão boni
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