A mansão estava silenciosa quando Lucca atravessou o hall. Era um silêncio pesado, profundo, quase respeitoso. Um silêncio que só casas grandes e vazias conhecem.Nenhum som vindo dos corredores, nenhuma risada, nenhuma porta batendo com pressa como acontecia quando Clara esquecia que existia limite entre andar ou flutuar.Só a luz baixa da escada, a mesma que Maria sempre esquecia de desligar e o eco suave dos passos dele sobre o mármore.Lucca parou perto do aparador, largando as chaves com um gesto automático e então ficou ali respirando. Como se o ar precisasse ser negociado com o próprio corpo.A noite tinha sido longa, mas não por causa do jantar, das conversas vazias ou dos olhares políticos. Aquilo ele sabia administrar, manipular, vencer. O que o consumia, o que deixava seu sangue elétrico e sua mente inquieta, eram as mensagens que ele mesmo havia enviado.E principalmente as imagens que agora não conseguia tirar da cabeça.Clara naquele vestido vinho, o tecido abraçando cad
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