Cap. 138
Cap. 138Pov Katleia.O trajeto de táxi até o bairro simples, longe dos muros altos das mansões e do cheiro de pólvora e sangue, pareceu uma viagem para outro mundo. O ar ali era diferente. Havia cheiro de terra, de jantar sendo preparado, de vizinhos conversando em calçadas. Era uma simplicidade que me desarmava. Meu pai, ao meu lado, mantinha a mão fechada, tensa, mas quando o carro finalmente estacionou, vi seus ombros relaxarem um milímetro.Quando descemos, o portão de uma casa de madeira pintada de azul se abriu.O meu coração, que já estava em frangalhos, parou de bater por um segundo inteiro.Duas crianças, um menino que aparentava uns oito anos e outro de uns seis, saíram correndo, rindo.Logo atrás, uma mulher de semblante sereno apareceu, limpando as mãos no avental. Meu pai não esperou.Ele deu dois passos largos e se abaixou, abrindo os braços. A alegria com que aquelas crianças se jogaram nele, o modo como ele as suspendeu e as abraçou, foi uma cena que me empurrou para
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