Cap. 137
Cap. 137POv Katleia.por um instante, tudo o que eu conseguia sentir era o calor da mão do meu pai sobre a minha. Era uma sensação tão antiga, tão profundamente enterrada na minha consciência, que por um segundo, apenas um segundo de delírio, eu me senti com sete anos de idade novamente.A dificuldade, a pobreza, a vida simples que levávamos antes da sombra daquele homem, daquele monstro cair sobre nós... tudo parecia ter voltado a ter cor.Eu estava feliz. Não uma felicidade plena, mas uma felicidade de sobrevivente que encontra um bote no meio de um naufrágio.Levantei-me da cama. O mundo rodou, mas meu pai me segurou, o olhar preocupado.— Onde você vai? — ele perguntou, a voz rouca.— Preciso saber da Guilhermina — respondi, sem olhar para trás.Caminhei pelo corredor do hospital com um peso que não era meu, mas que eu tinha carregado a vida toda.Ao dobrar o corredor, vi as meninas. Maju, Gildete e Selene estavam ali, encostadas na parede, formando uma barreira invisível.Elas e
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