Dante Menegaço Milão amanhecia cinza quando o convite chegou. O envelope pesado, elegante, com o brasão da família Menegaço em relevo, destoava da simplicidade do meu apartamento. Abri devagar, como se o papel pudesse morder. O nome de Draiton saltou aos meus olhos e, por um instante, fui atravessado por lembranças que eu vinha evitando: Playa Rosa, o mar batendo nas pedras, o riso do meu tio, os verões que pareciam eternos antes de tudo se quebrar. Eu gostava de Draiton. Sempre gostei. E amava Playa Rosa como se fosse uma extensão do meu próprio corpo. Mas não estava pronto. Não para perdoar. Não para sentar à mesma mesa que minha mãe, Bárbara. Não para fingir que meu pai e Drayson não haviam sido parte do silêncio, da omissão, das feridas que ainda ardiam. Eu queria paz. E paz era tudo o que eu não tinha quando me aproximava deles. Respirei fundo, sentei-me à mesa da cozinha e peguei o celular. Escrevi para meu tio com honestidade — a única forma que eu conhec
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