Melissa Menezes Eu estava furiosa. Furiosa daquele tipo que faz a gente apertar o celular com força demais, como se ele tivesse culpa. Draiton tinha simplesmente pedido — com aquela voz calma, controlada e irritantemente segura — que eu fosse encontrar um cliente no Cristo Redentor. No Cristo. Redentor. Como se aquilo fosse um café qualquer. O Hotel Menegasso, no Centro do Rio, mas preciso no Corcovado, tinha restaurantes impecáveis, salas reservadas, vista para a Baía de Guanabara, serviço impecável. Ele podia ter marcado em qualquer um deles. Mas não. Resolveu me tirar do ar-condicionado, do salto confortável, da lógica, e me mandar para o ponto turístico mais visitado do país. — Esse homem só pode ter perdido o juízo — murmurei, ajeitando os óculos escuros enquanto o carro subia a estrada sinuosa do Parque Nacional da Tijuca. O verde me cercava por todos os lados. A mata atlântica viva, úmida, pulsante. O cheiro de terra molhada, folhas, vento. O Rio tinha essa capaci
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