PEDRO O terceiro dia nas Maldivas foi perfeito. Tão perfeito que começou a me irritar. Tínhamos nadado, comido, feito amor em todos os cômodos da villa, lido livros e ficado em silêncio a olhar para o mar. Para a maioria dos mortais, era o paraíso. Para nós? Era a antecâmara do tédio. Eu estava deitado na espreguiçadeira do deck, girando uma ficha de pôquer entre os dedos (um hábito nervoso que eu trouxe na mala). Isabella estava ao meu lado, lendo um artigo sobre inteligência artificial no tablet, com os óculos de sol na ponta do nariz e um biquíni preto minúsculo que desafiava a minha concentração. — Pedro — chamou ela, sem tirar os olhos da tela. — Hum? — Aquele barco gigante está a olhar para nós há vinte minutos. Levantei os óculos escuros. A uns quinhentos metros da nossa villa, um megaiate preto e cromado, de pelo menos 80 metros, estava ancorado. Parecia uma nave espacial flutuante. — É o Volkov II — identifiquei, reconhecendo a bandeira e o mau gosto excessivo. — Dmit
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