O PESO DO RETORNOO silêncio da casa nunca foi realmente silencioso para Helena.Havia sempre ruídos invisíveis: memórias, imagens soltas, o eco distante de vozes que não estavam mais ali. Naquela noite, porém, o silêncio tinha peso. Um peso físico, quase sufocante, que se instalava nos ombros e descia pelas costas como uma armadura enferrujada.Ela trancou a porta com cuidado excessivo. Conferiu duas vezes. Depois uma terceira. Só então encostou a testa na madeira por alguns segundos, respirando fundo, como se precisasse se lembrar de onde estava.Em casa.Gabriel dormia.O corredor estava escuro, exceto pela luz fraca que escapava do quarto dele. Helena caminhou devagar, passos calculados, como se ainda estivesse em operação. Abriu a porta com cuidado e entrou.O menino dormia de lado, abraçado ao travesseiro, a testa levemente franzida. Helena sentou-se na beira da cama e passou os dedos pelos cabelos dele, com delicadeza. Era ali, naquele gesto simples, que o corpo finalmen
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