Lorenzo Narrando… Segunda-feira sempre foi, para mim, um território de domínio. O prédio da V-Tech ainda respirava aquele silêncio contido de início de semana quando entrei na minha sala. As paredes de vidro refletiam a cidade despertando lá fora, e por um instante observei meu próprio reflexo — o mesmo Lorenzo de sempre, o homem que construiu impérios, que dobrava conselhos administrativos com uma frase bem colocada, que nunca permitiu que emoções atravessassem a soleira do escritório. Nunca. Coloquei o paletó na cadeira, deixei a pasta sobre a mesa e inspirei fundo. O cheiro do couro, do café recém-passado vindo do corredor… tudo estava exatamente onde deveria estar. E ainda assim, algo em mim estava fora do lugar. Sentei, liguei o notebook, percorri rapidamente os e-mails acumulados do fim de semana. Aquisições, relatórios de desempenho, conflitos internos entre setores, previsões de mercado. Meu cérebro funcionava em alta velocidade, como sempre. Respostas curtas. Deci
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