Os dias passaram rápido, quase sem que Lais percebesse, e em cada um deles, nos três dias em que havia show, ele estava lá. Sempre no mesmo lugar, na primeira mesa, imóvel, como se fizesse parte da própria decoração da boate. Mas não fazia. Heitor já não assistia mais — ele analisava. Observava cada movimento, cada gesto, cada detalhe, como alguém que tenta montar um quebra-cabeça complexo, esperando que, em algum momento, todas as peças finalmente se encaixem. E Lais percebeu isso desde o primeiro instante. Se antes ela dançava para dominar o ambiente, agora dançava para esconder. Mudou o ritmo, o olhar, até a forma de se mover. Tornou-se mais controlada, mais estratégica, mais distante, como se cada passo fosse calculado não apenas para atrair, mas para confundir. Porque aquilo já não era só um espetáculo. Era um jogo. E ele… estava jogando também. O homem misterioso tinha desaparecido nos últimos dias, o que, de certa forma, trouxe um alívio silencioso. Mas naquela noite, ele v
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