Cap 120. Encontro inevitável
Milena adormeceu de exaustão, naquela noite. As lágrimas secaram sozinhas sobre o travesseiro, deixando marcas invisíveis que nenhum amanhecer seria capaz de apagar. Durante horas, o sono veio fragmentado, inquieto, povoado por lembranças que insistiam em reconstruir a imagem dele no salão, o olhar endurecido, a forma como se virou para ir embora sem saber que ela estava ali, a poucos metros, sufocando o próprio nome na garganta. Quando o dia finalmente clareou o quarto, ela já estava acordada. Não precisou do despertador. Não precisou do chamado das crianças. Abriu os olhos como quem continua uma vigília que nunca foi interrompida. Por alguns segundos, permaneceu imóvel, encarando o teto, tentando convencer a si mesma de que tudo não passara de um encontro mal interpretado, de que talvez Marcelo não tivesse realmente percebido, de que talvez ainda houvesse espaço para explicações. Mas a memória era cruel demais para permitir ilusões confortáveis. Ela sabia o que tinha visto no olh
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