Cap 121. Dançando para o passado.
Marcelo encarou o amigo de forma fria. — É ela!— respondeu fechando a mão em punho. A música mudou novamente, mais lenta, mais envolvente, com uma batida grave que vibrava no chão e subia pelas pernas. Milena girou no centro do palco e foi nesse movimento que o viu, ele estava ali. Sentado em uma das mesas laterais, postura rígida, olhar fixo, intenso demais para ser confundido com curiosidade casual. Marcelo não piscava. Não desviava. Não respirava com naturalidade. O mundo dela silenciou. Por um segundo, o medo veio primeiro. Um medo real, cru, de ter sido descoberta, de não conseguir sustentar a mentira que iria contar. De ver nos olhos dele desprezo ou indiferença. Mas quase no mesmo instante, outra sensação se sobrepôs. Adrenalina. O tipo de energia que percorre o corpo inteiro e transforma vulnerabilidade em poder. Ela poderia ter fingido não ver, ter inventado uma desculpa e saído do palco, mas não interrompeu a dança. Ao contrário. Caminhou com passos calculados,
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