Cap. 102. Longe de tudo que eu amo
Semanas atrás Para Milena, a partida começou antes do avião decolar. Começou no momento em que ela entrou no carro e não olhou para trás. Foram longas horas até o aeroporto. Ninguém ligou o rádio, as crianças alternavam entre choro baixo e sono inquieto. Álvaro mantinha os olhos atentos pela janela, Lívia organizava bolsas, mamadeiras, cobertas. Milena dirigia, as mãos firmes no volante, o olhar fixo na estrada. Em completo silêncio. — Você quer que eu dirija um pouco? — Lívia perguntou em certo momento. — Não. A resposta saiu automática, parecia que ali atrás do volante ela tinha controle da sua vida. No aeroporto, o dinheiro trocou de mãos rápido demais. Um intermediário, olhar neutro, poucas perguntas. — Não se preocupe, não haverá registro com esses nomes. Será como vocês nunca colocaram os pés aqui. Ela assentiu e pagou sem se importar quão caro ficou. Dentro do avião, o silêncio parecia mais alto. Quando a aeronave ganhou altitude, Milena fechou os olhos po
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