Maelric não atacou naquela noite.E isso foi o que mais aterrorizou.Depois de três dias de pressão contínua, de colunas de fumaça visíveis a quilômetros, de sirenes ecoando sem parar e de relatórios de mortos que já não cabiam mais em uma única planilha, o silêncio parecia uma presença física.Pesada.Artificial.Como o momento exato antes de uma explosão.Auren caminhava sozinho pela plataforma superior da fortaleza central — não uma muralha medieval, mas um complexo de concreto armado, antenas de comunicação no topo, refletores ainda ligados mesmo com o sol se pondo.O vento trazia cheiro de combustível queimado, de plástico derretido, de sangue seco.Mas não havia novos incêndios.Não havia colunas de veículos inimigos se movendo no horizonte.Nenhum disparo distante.Nenhum estampido de artilharia leve.Nenhum uivo.O silêncio era tão completo que doía nos ouvidos.Ele apoiou as mãos na mureta de concreto, observando a cidade lá embaixo.Carros abandonados bloqueavam cruzamentos.
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