JULIA NARRANDO:Acordei com a sensação de que alguém estava apertando minha cabeça por dentro. Uma dor pulsante, insistente, bem atrás dos olhos, como se o mundo tivesse decidido me punir por ainda estar de pé. Abri os olhos devagar, sentindo o peso do dia antes mesmo de colocar os pés no chão.O quarto ainda estava em penumbra. Minha mãe dormia no outro cômodo, e só isso já me dava forças para levantar. Respirei fundo, sentei na cama e levei a mão à testa. A dor de cabeça não cedeu. Pelo contrário. Parecia um lembrete cruel de tudo que tinha acontecido nas últimas horas… dias… semanas.Levantei no automático. Tomei um banho rápido, mais morno do que quente, porque até a água parecia agressiva demais naquela manhã. Enquanto me vestia, escolhi uma roupa discreta, profissional, quase como uma armadura. Calça de alfaiataria, blusa clara, cabelo preso num coque firme. Eu precisava parecer inteira, mesmo não estando.Antes de sair, passei no quarto da minha mãe. Amélia dormia profundamente
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