~ CHRISTIAN ~Se alguém me dissesse, um ano atrás, que eu ia acordar numa terça-feira para pular de um avião por vontade própria, eu teria rido com a educação de quem não quer ofender e depois teria voltado para a agenda. Eu não tinha “tempo” para coisas que não serviam a um propósito. Eu não tinha espaço para impulsos. Eu tinha uma empresa, um filho, um casamento que eu protegia como quem protege um país inteiro.E, ainda assim, ali estava eu, no hangar, com cheiro de combustível no ar e um vento frio atravessando a estrutura metálica, vestindo um macacão que não combinava com nenhuma foto institucional.Marco caminhava ao meu lado com aquele jeito dele de parecer sempre meio debochado e meio brilhante, como se o mundo fosse uma piada bem contada que só ele tinha entendido.— Você tem certeza que isso pareceu uma boa ideia? — ele perguntou, olhando para o instrutor como quem avalia um animal selvagem.— Não — eu respondi, ajustando o relógio no pulso como se isso fosse um gesto de no
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