~ NICO ~Eu já tinha passado a vida inteira treinando para manter o controle — na terra, na adega, nas contas, nas tragédias. Mas nada, absolutamente nada, te prepara para a sensação de que o mundo inteiro virou uma seta apontando para um único lugar: hospital. Agora.Eu não lembro de descer do palco. Eu lembro de mãos se afastando, de alguém abrindo espaço, de Christian dizendo alguma coisa que não entrou, de Zoey já no telefone com uma eficiência assustadora. Lembro do rosto da Martina, pálido de susto e firme de comando, puxando a Bella para perto do corpo.— Eu fico com ela — Martina disse. — Vai.Bella agarrou o vestido da avó com as duas mãos, os olhos enormes, mas não chorou. Só olhou para mim e para a Bianca com aquela coragem quieta de criança.— Vai com a mamãe — ela falou.Eu quis responder, beijar a testa dela, dizer que tudo ia ficar bem. Mas o “bem” estava no banco do carro, no cinto de segurança apertado na Bianca, no caminho mais rápido possível sem transformar a cidad
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