Depois da conversa na cozinha, Selene passou o dia inteiro trancada no quarto, recusando-se a ver Lucien, Damian ou qualquer outra pessoa daquela casa. Precisava de espaço para processar tudo — a revelação sobre a mãe, sobre Carmen, sobre a linhagem que carregava sem nunca ter escolhido.Sentada junto à janela, observou o pôr do sol pintar o céu de Blackthorn em tons de laranja sangrento, e permitiu-se, finalmente, fazer a pergunta que evitara desde que chegara àquela mansão: o que ela realmente sentia, no fundo, sobre tudo aquilo?Não sobre o dever imposto pela linhagem, nem sobre as manipulações de Damian, nem sobre as meias-verdades de Lucien. O que Selene, a mulher por trás do nome, sentia de verdade?Fechou os olhos e deixou a mente vagar. Havia medo, é claro — um medo profundo, visceral, do que aquele lugar era capaz de fazer com ela. Mas havia também algo mais, algo que ela relutava em admitir: uma curiosidade genuína sobre quem ela realmente era, sobre a força que corria em seu
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