Um bipe constante, ritmado, foi a primeira coisa que Selene registrou ao emergir da escuridão. Depois, o cheiro — antisséptico, frio, tão diferente do aroma de terra úmida e velas derretidas que associava, vagamente, a algo que não conseguia mais precisar com clareza.Abriu os olhos devagar, a luz branca do teto ofuscando-a por um instante. Um quarto de hospital. Paredes claras, uma janela com persianas semicerradas deixando entrar faixas de sol da tarde, uma cadeira vazia ao lado da cama.Tentou se lembrar de como havia chegado ali, mas encontrou apenas fragmentos soltos, desconexos: um corredor escuro, o cheiro de mofo, uma dor imensa espalhando-se pelo corpo, uma voz gritando seu nome com desespero. Nada se encaixava em uma narrativa coerente.Levantou-se devagar, o corpo dolorido, mas funcional, e desconectou-se dos poucos monitores que ainda estavam presos à pele, ignorando o pequeno alarme que soou baixinho ao fazê-lo. Precisava se mover, sentir o próprio corpo, confirmar que ain
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