A última ultrassom chegou quase como um acordo silencioso com o destino.Ayla já estava grande, a barriga firme, viva, marcando presença antes mesmo das crianças nascerem. As consultas anteriores tinham sido sempre assim: risos nervosos, o médico pedindo para esperar mais um pouco, os bebês “escondidos”, virados do jeito errado, como se quisessem guardar segredo.— Esses dois gostam de suspense — o médico brincou mais de uma vez.Dessa vez, porém, algo era diferente.A sala estava calma. A luz suave. Mateo ao lado de Ayla, segurando sua mão com força contida. Lia sentada mais atrás, quase prendendo a respiração. Yuri encostado à parede, tentando parecer tranquilo — sem sucesso.O gel frio tocou a pele de Ayla, e ela respirou fundo.— Vamos ver se hoje eles resolvem colaborar — disse o médico, sorrindo enquanto ajustava o aparelho.A tela começou a se formar.Batimentos fortes.Movimentos claros.Dois corpos ocupando o espaço como se aquele lugar fosse exatamente onde deveriam estar.O
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