Lucas Park Sabemos que autocontrole nunca foi exatamente minha maior virtude. Mas, naquela noite, nem mesmo tentei fingir que possuía algum. No instante em que atravessei aquela porta e senti Gabrielle tão perto, tão absurdamente perto depois de dias que pareceram anos, qualquer tentativa de racionalidade simplesmente deixou de existir. Fechei a porta atrás de mim com força suficiente para o baque ecoar pelo salão, alto, estrondoso, fazendo o som reverberar pelas paredes como um aviso. Ou talvez uma ameaça. Não sei. Só sei que, ao mesmo tempo em que minha mão bateu contra a madeira, a outra já havia encontrado a cintura de minha esposa, puxando-a para mim sem delicadeza alguma. Foi instintivo. Quando a pressionei contra a porta fechada e cobri seu corpo com o meu, prendendo-a ali entre a madeira e toda a minha fúria contida, vi seus lábios se separarem, provavelmente pronta para protestar, reclamar ou exigir que eu me afastasse. Mas eu não lhe dei essa chance. Não
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