O restante do trajeto até a casa foi feito em silêncio, mas não um silêncio vazio — havia algo ali, denso, quase palpável, como se as palavras tivessem ficado presas entre os dois, ocupando espaço demais para serem ignoradas. Quando entraram, o cheiro de comida tomou o ambiente antes de qualquer outra coisa, quente e familiar, contrastando de forma quase incômoda com o peso que eles carregavam. A mesa já estava posta, tudo no lugar, organizado demais, como se o dia tivesse sido comum, como se nada tivesse saído do eixo. Clara seguiu direto para a sala de jantar, os passos contidos, enquanto Vinícius vinha logo atrás, retirando o relógio do pulso com movimentos calmos, controlados demais para quem claramente não estava em paz. Sentaram, e o silêncio veio primeiro, mas não era desconfortável no sentido óbvio — era apenas estranho, deslocado, como se nenhum dos dois soubesse exatamente qual papel deveria assumir naquele momento. Clara se serviu sem olhar para ele, concentrando-se mai
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