Clarice A casa só ficou realmente silenciosa quando a viatura desapareceu na curva da estrada. Não foi um silêncio de paz imediata. Foi um silêncio denso, pesado, como se o ar ainda estivesse tentando entender se já podia relaxar. Meu corpo não sabia. Cada músculo permanecia em alerta, como um animal que sobreviveu ao ataque, mas ainda fareja o perigo no vento. John trancou a porta da frente. Depois conferiu as janelas. Uma por uma. Não havia pressa nos gestos, tampouco exagero. Era método. Era experiência. E, acima de tudo, era cuidado. Um tipo de cuidado que não se anuncia, não cobra, não exige gratidão. Ele simplesmente existe. E perceber isso me desarmou mais do que qualquer ameaça de Richard jamais conseguiu. Aurora saiu do quarto devagar, abraçando o cobertor como se fosse um escudo. Os olhos grandes buscavam respostas antes mesmo das palavras. Lila vinha logo atrás, mão pousada com firmeza no ombro da Aurora, presença silenciosa, sábia, dessas que não precisam explicar na
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