Meses se passaram, e Brockton já não era a mesma cidade.Não porque tivesse se tornado melhor — cidades raramente melhoram de verdade —, mas porque perdera a inocência que fingia ter. As fachadas continuavam em pé, os prédios eram os mesmos, as pessoas cruzavam as ruas nos mesmos horários. Ainda assim, algo invisível havia mudado.O silêncio agora carregava memória.A lanchonete de Sharon resistira.No início, vieram os curiosos. Pessoas que nunca haviam entrado ali, mas queriam ver de perto o lugar ligado, mesmo que indiretamente, ao escândalo que derrubara homens poderosos. Depois, vieram os fiéis. Os que sempre estiveram ali, mas agora sentavam com mais tempo, mais respeito, como se aquele pequeno espaço tivesse se tornado um símbolo de sobrevivência.Sharon sorria novamente.Não o sorriso automático de quem atende clientes por obrigação, mas um sorriso real, embora cansado. As olheiras não haviam desaparecido. As rugas novas também não. Havia marcas que o tempo não apaga — apenas
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