O quarto estava em silêncio, quebrado apenas pelo som irregular da respiração de Charllot. Sentada no chão, com as costas encostadas na cama, ela abraçava os próprios joelhos como se tentasse impedir que o mundo voltasse a machucá-la. As lembranças vinham como ondas violentas, sem pedir permissão, trazendo rostos, vozes, cheiros e gritos que ela lutava tanto para esquecer. Do lado de fora, Sharon permanecia encostada na porta, sentindo o coração apertado. Aquela sensação de impotência a consumia. Ela sabia que Charllot não estava fugindo dos detetives estava fugindo do passado. — Charllot… : disse em voz baixa, com cuidado. — Eles já foram embora. Você está segura. Nenhuma resposta. Sharon respirou fundo, sentou-se no chão, ali mesmo, do outro lado da porta. — Eu não vou sair daqui: continuou. — Fico aqui o tempo que for preciso. Lá dentro, Charllot fechou os olhos com força. As lágrimas escorriam sem controle. Parte dela queria abrir a porta, correr para os braços de Sha
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