As Sereias de Ciano
As Sereias de Ciano
Por: Marie Moura
1

Lavínia

Não via a hora de me tornar humana queria ver alguns daqueles lindos homens que chegavam em uma das muitas embarcações um tanto velhas que sempre atracavam no pequeno porto de ciano. Aquela parecia diferente os homens eram mais jovens e bonitos não pareciam em nada com os velhos que vinham para o vilarejo. Mas para isso preciso da permissão de íris, ela é uma boa pessoa mas não quer me deixar sair para conversar com seres normais. Ela acha que eles tem medo da gente. E também com essa cauda azul enorme já era de se esperar. Olho com apenas metade da minha cabeça fora dágua acho que não deu para perceberem que os vigio, um dos homens olha em minha direção e acabo voltando para as profundezas do oceano.

Íris já havia alertado não só a mim como também à todas as sereias e tritões dos mares que era proibido se exibir tanto para os navegantes quanto para os cidadãos do reino de ciano.

Nado para chegar a um dos lugares preferidos de Íris e como de costume lá estava ela penteando seus longos cabelos negros que cobriam seus seios, cercada de sereias de certo estavam bajulando ela para obter alguma coisa, talvez isso também fosse o que eu iria fazer. Ela era a mais poderosa de todos nós. Tinha poderes ainda desconhecidos por ela, que não esitaria nem um pouco em usar se preciso fosse.

Me sento próximo a ela em uma das rochas, ainda penteando seus cabelos com um olho no espelho e outro em mim.

- e então Lavínia o que você quer? - ela me pergunta como se já soubesse do que se tratava.

- por enquanto nada. Só vim te ver mesmo, por que é preciso querer algo para poder lhe ver? - ela me olha com um sorriso contido no canto de sua boca.

- de certa forma ou é para me bajular ou pedir alguma coisa. Se for peça logo enquanto ainda estou de bom humor. - era bom eu pedir logo mesmo eu e ninguém ali queria ver a linda íris brava ou aquele mar iria ficar mais turbulento que redemoinho dágua. Busquei coragem até da ponta da minha calda.

- quero ir ver os marujos que chegaram hoje cedo na cidade de ciano. - digo de uma vez já esperando uma de suas reações negativas.

- tudo bem. - essa foi uma resposta positiva por essa eu não esperava então me contive.

- sério?

- sim. Hoje estou feliz Tristan veio me ver. - disse baixando o espelho e olhando diretamente para mim. Tristan era o quase noivo dela e sempre que tinha tempo, vinha à ver.

- só tem um problema. - digo com a cabeça baixa.

- e qual seria? - ergueu minha cabeça com sua mão.

- minha calda. Não temos pés como os humanos lembra?

- ah mas isso é fácil de resolver. - disse me entregando uma pérola branca.

- como isso vai me ajudar?

- é uma pérola encantada que vai lhes dar pernas como os humanos assim que estiver em terra firme. Mas cuidado o seu encanto só dura por um dia. - fiquei tão feliz que quase não intendi seu aviso de cuidado. Peguei a pérola e a prendi em um pequeno colar de conchas que carrego preso em meu pescoço. Dei um abraço em íris e pulei naquelas águas límpidas que chamávamos de lar, nadando o mais rápido possível até a praia.

- o que pensa que está fazendo? - sou surpreendida por Troy o irmão mais novo de Tristan que me seguia e eu não queria que ele soubesse minhas intenções.

- não estou fazendo nada. - tentei tirar seu foco de mim mas sem sucesso.

- claro que está ou não estaria nadando tão rápido.

- tudo bem você me pegou estou me exercitando. - eu queria tanto ver as pessoas de verdade e ele fica me segurando com essa conversa.

- posso ir com você?

- não sei, a íris me pediu para buscar uma raiz para ela! - ele me olha com seus lindos olhos verdes e seu cabelo brilhante pela água.

- tudo bem pode ir então. - disse um tanto triste mas ainda com seu melhor sorriso no rosto. Espero que ele entenda que não é culpa dele isso é minha culpa quero descobrir coisas novas ver gente de verdade pois acho que é como ela falou que os humanos podem ter medo de nossas formas naturais.

Vi que Troy já havia se afastado, então decidi ir para praia. Verifiquei se a pérola estava no colar e ainda estava, sai atrás de um dos barcos a magia da pérola parecia estar ganhando vida logo senti minha calda se transformando em pernas lindas cujas quais eu não tinha domínio nenhum sai do mar quase cambaleando e ainda por cima eu estava nua. Cai na areia um tanto frustada.

- não imaginei que ter pernas daria tanto trabalho. - digo para mim mesma, e para minha surpresa sou ouvida por um homem que me olha maliciosamente com um sorriso no rosto. Acho que o fato de estar nua o atraí mais que o canto de qualquer sereia.

- moça por que você está nua deitada em meio a praia debaixo deste sol quente? Tome meu casaco. - perguntou me estendendo uma peça de pano que o mesmo chamou de casaco. Achei curioso mas como o mesmo me ajudou a colocar não me incomodei, só de não ter mais os seus lindos olhos queimando em minha pele já era um alívio.

- e então a senhorita não me respondeu? - ele parecia confuso e eu mais ainda.

- acho que me perdi. - criei uma desculpa nada agradável pois eu odiava mentir, era preciso pois nenhum cidadão de ciano ou de qualquer outro lugar iria acreditar que eu era uma sereia.

- mas assim nua no meio da praia? - disse coçando a cabeça. E eu confirmei com a minha. Acho que vi Troy mais ao longe no meio do mar ele que não ouse se mostrar não quero que ele estrague tudo ou este homem aparentemente jovem e bonito iria se juntar a tantos outros e nos caçar. Sorte nossa que eles não sabem nadar.

- vamos eu vou te levar a taverna onde meus amigos estão. - disse me ajudando a levantar no entanto meus passos ainda não eram firmes eu não tinha domínio algum sobre as minhas próprias pernas.

- a moça não consegue andar?

- não.

Leia este capítulo gratuitamente no aplicativo >
capítulo anteriorpróximo capítulo

Capítulos relacionados

Último capítulo