Capítulo 7
Ponto de Vista de Reginald

Reginald acabara de chegar ao Reinard Group, a enorme empresa de sua família, que operava tanto no país quanto no exterior.

Seus passos eram firmes e imponentes enquanto entrava no enorme prédio de cinquenta andares que se erguia diante dele.

Assim que o homem de trinta e três anos entrou, o ambiente do saguão mudou.

Os funcionários que conversavam descontraidamente imediatamente endireitaram a postura e abriram caminho para ele.

A presença de Reginald impunha silêncio sem que ele precisasse dizer uma única palavra.

Ele seguiu em direção ao elevador privativo reservado aos principais executivos da empresa, acessível apenas com um cartão de acesso executivo.

Menos de um minuto depois, o elevador chegou ao quadragésimo nono andar, onde ficava seu escritório.

Ele estendeu sua mão para a porta, mas sua atenção primeiro se voltou para a mesa da secretária, posicionada do lado de fora do escritório, o espaço padrão destinado a uma secretária executiva.

Um momento depois, ele entrou em seu escritório enquanto discava um número no celular.

— Bom dia, senhor. O que precisa? — Aaron Stewart, seu assistente, respondeu do outro lado da linha.

— Mova a mesa da secretária para dentro do meu escritório. Coloque-a diretamente à direita da minha mesa — Reginald ordenou, em um tom que não deixava espaço para discussão.

— Sim, senhor.

Reginald caminhou até sua mesa e se acomodou em sua cadeira executiva, um elegante assento preto que combinava com a presença imponente do principal herdeiro da família Reinard.

***

Ponto de Vista de Diana

Diana finalmente havia chegado à empresa.

O motorista da família e Nadia a haviam deixado ali. Ao sair do carro, Diana prendeu a respiração por um momento, tentando acalmar o nervosismo que sentia no peito.

Ela ainda não conseguia acreditar na sorte que tivera naquela manhã.

O carro da família Reinard, que costumava levar Nadia ao supermercado, estava a caminho de lá naquela manhã. Diana aproveitou a oportunidade para ir junto, embora tivesse se desculpado várias vezes, já que o supermercado e a empresa ficavam em direções completamente opostas.

— Com licença — Diana disse baixinho quando viu um funcionário parado perto do saguão dos elevadores.

— Sim, senhorita? Posso ajudar? — o homem perguntou.

Era Aaron.

O olhar dele percorreu rapidamente Diana da cabeça aos pés.

Uma funcionária nova, ele pensou.

— Meu nome é Diana Nadine, mas todos me chamam apenas de Diana. Sou a nova secretária de Reginald. Quero dizer, do Sr. Reginald Reinard, o CEO desta empresa.

Diana estendeu a mão, e Aaron a apertou educadamente.

— Então você é a nova secretária do Sr. Reginald?

— S-sim — ela respondeu rapidamente, nervosa, mas fazendo o possível para parecer confiante.

— Tudo bem. Então venha comigo.

Aaron soltou a mão dela e começou a caminhar, com Diana seguindo atrás.

Os dois pegaram o elevador privativo até o quadragésimo nono andar, o andar executivo onde ficava o escritório de Reginald.

Quando as portas do elevador se abriram, Aaron conduziu Diana até uma área de escritório espaçosa, luxuosa e silenciosa.

O olhar de Diana pousou sobre uma placa retangular de acrílico que estava sobre uma mesa. O cargo de CEO estava impresso na parte superior, seguido pelo nome completo e pelas qualificações de Reginald.

Reginald Alfred Reinard, MBA.

Diana seguiu Aaron rapidamente até eles pararem diante de uma mesa organizada, com materiais de escritório novos.

— Aqui. Esta é sua mesa — ele disse, apontando para ela.

Diana assentiu de leve e sorriu.

— Obrigada, senhor.

— De nada. Pode se sentar. O Sr. Reginald deve voltar em breve.

— Está bem, senhor. Obrigada novamente. Espero que tenha paciência comigo. Este é meu primeiro emprego, então realmente não sei nada sobre esse tipo de trabalho.

Aaron ergueu as sobrancelhas.

Seu primeiro emprego?

Aaron conteve um risinho de desprezo. Como o CEO havia contratado uma secretária sem absolutamente nenhuma experiência? Será que ela tinha algum tipo de ligação com a família?

— Ah... entendi. — Aaron escondeu a surpresa atrás de uma expressão educada. — Bem, vou deixar você se acomodar.

Diana assentiu rapidamente, ainda sentindo o nervosismo no peito.

Ela olhou ao redor.

Tudo era tão luxuoso. Desde os móveis sofisticados até as janelas do chão ao teto, que ofereciam uma vista impressionante da cidade lá embaixo.

— Meu Deus... — ela murmurou enquanto colocava a bolsa e o celular sobre sua nova mesa. — Estou tão nervosa. Preciso ir ao banheiro por um minuto e me acalmar antes que eu comece a tremer.

Sem esperar mais, Diana correu em direção ao banheiro localizado dentro do escritório executivo.

Quase no mesmo instante, a porta do escritório se abriu.

Reginald entrou, e sua presença imponente imediatamente tomou conta do ambiente.

Seus passos diminuíram quando ele percebeu a mesa de Diana.

Suas sobrancelhas se franziram levemente.

As coisas dela estavam ali, mas ela não.

— Onde ela foi? — Reginald murmurou enquanto se aproximava da mesa.

Ding!

O celular de Diana, que estava sobre a mesa, acendeu com uma notificação.

Os olhos de Reginald foram instintivamente para a tela.

Assim que leu a mensagem, sua expressão ficou mais dura.

Era Kyle.

[Diana, encontre o homem cujo cartão te dei ontem o quanto antes.]

Dentro do banheiro, Diana respirou fundo e soltou o ar devagar enquanto olhava para seu reflexo no espelho.

— Você consegue, Diana. Vai dar tudo certo — ela incentivou a si mesma em voz baixa. — Ontem à noite, pesquisei tudo o que uma secretária faz, menos a parte prática. Eu consigo lidar com isso. Vamos lá.

Click!

Diana se assustou quando a porta do banheiro se abriu.

Ela congelou ao ver Reginald parado na porta, com a expressão fria de sempre.

Seus olhos se arregalaram.

— Regi...? — sua voz falhou enquanto Reginald entrava tranquilamente.

O olhar de Diana imediatamente caiu sobre o lenço de papel usado que ela havia deixado perto da pia.

Em pânico, Diana estendeu a mão para pegá-lo.

Mas, antes que pudesse alcançá-lo, Reginald se moveu primeiro.

Com um movimento suave e preciso, Reginald se aproximou da pia e abriu a torneira para lavar as mãos.

Ao mesmo tempo, sem lhe dar o menor aviso ou se importar com seu espaço pessoal, o braço direito de Reginald envolveu a cintura fina de Diana.

O movimento pareceu completamente natural para Reginald.

Para Diana, porém, foi suficiente para fazê-la prender a respiração e sentir o coração disparar.

Os dois estavam tão próximos que Diana conseguia ver claramente no reflexo do espelho o contorno forte do maxilar de Reginald, coberto por uma leve barba por fazer.

Reginald continuou completamente tranquilo.

Era como se tocar a cintura de Diana não significasse mais do que abotoar o paletó.

Diana engoliu em seco.

Ela queria afastar a mão dele, mas seu corpo se recusava a obedecer.

Diana ficou imóvel, permitindo que a mão dele permanecesse ali até Reginald terminar de lavar as mãos.

Reginald pigarreou baixinho e encarou seu próprio reflexo antes de olhar rapidamente para Diana através do espelho.

Foi apenas um olhar rápido, mas foi suficiente para fazer o coração dela disparar.

Os dois estavam próximos demais. Perto o suficiente para sentirem o cheiro um do outro.

O cheiro dele era marcadamente masculino e limpo, enquanto o dela era suave e fresco.

— Reginald... — Diana finalmente falou, tentando controlar a respiração.

Os olhos dos dois se encontraram no espelho.

— Você não me viu?

Reginald finalmente se afastou.

Ele pegou uma toalha de papel e secou as mãos calmamente antes de jogá-la no lixo sem olhar para Diana.

— É mesmo? — Reginald perguntou, erguendo levemente uma sobrancelha. Sua voz continuava fria e controlada. — Achei que não havia ninguém aqui. Normalmente, ninguém ousaria usar meu banheiro particular.

Os olhos de Diana se arregalaram novamente.

Ela prendeu a respiração quando a vergonha tomou conta dela.

Ela abaixou a cabeça imediatamente.

— Desculpe, Reginald. Eu não sabia. Realmente não queria usar seu banheiro sem permissão. Sinto muito.

Reginald olhou para ela impassivelmente, com um olhar afiado o suficiente para intimidá-la sem precisar elevar a voz.

— "Senhor".

Ele enfatizou a palavra com firmeza.

— Sou seu chefe aqui, não seu cunhado. Não se dirija a mim da mesma forma que faz em casa. Se não consegue separar essas duas coisas, não vai conseguir trabalhar de maneira profissional.

A voz dele não estava alta.

Mas Diana ainda sentiu como se algo apertasse seu peito.

— S-sim, senhor. Desculpe.

Ela manteve a cabeça baixa, sem ousar olhar diretamente para os olhos frios e severos de Reginald.

Sem dizer mais nada, Reginald se virou e saiu do banheiro.

Diana levantou lentamente a cabeça e olhou para seu reflexo no espelho.

Ela levou a mão ao peito e sentiu o coração bater acelerado.

— Meu Deus. É meu primeiro dia e eu já cometi um erro — ela sussurrou.

Então Diana deu um leve tapinha na própria cabeça.

— Sua idiota, Diana.

Ela continuou falando consigo mesma no banheiro até a voz de Reginald chamá-la de repente do lado de fora.

— Diana!

Dessa vez, a voz dele estava uma oitava mais alta, fazendo Diana sair rapidamente.

— Sim, senhor. Posso fazer alguma coisa pelo senhor? — Diana perguntou quando parou diante da mesa de Reginald, fazendo o possível para parecer profissional depois do momento constrangedor de pouco antes.

Reginald olhou diretamente para ela, com a expressão fria e firme.

— Prepare um café para mim.

A ordem foi curta e firme.

Diana assentiu imediatamente.

— I-imediatamente, senhor.

Diana saiu rapidamente do escritório, e a porta se fechou suavemente atrás dela.

Ponto de Vista de Reginald

Reginald acompanhou com os olhos a figura dela se afastando, permanecendo em silêncio e pensativo.

Assim que ela desapareceu de sua vista, ele soltou o ar baixinho e desviou o olhar.

Seu olhar caiu sobre o objeto fino que estava sobre a mesa dela.

Era o celular de Diana.

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