Mundo de ficçãoIniciar sessão
Querido leitor,
Antes de iniciarmos esta jornada pelas ruas de Boston e as paisagens de Salem, gostaria de dedicar um momento para uma nota importante.
Este livro mergulha nas profundezas da identidade humana e nas pressões que muitas vezes moldam — ou quebram — quem somos. Embora seja uma história sobre crescimento e escolhas, o conteúdo deste volume aborda temas sensíveis que podem servir de gatilho para alguns leitores, incluindo:
Transtornos de ansiedade;
Ataques de pânico detalhados;
Pressão psicológica familiar.
Retratei esses momentos com a maior empatia e responsabilidade possíveis, mas entendo que a saúde mental é uma jornada individual e delicada. Se você se sentir desconfortável ou fragilizado durante a leitura, por favor, respeite o seu tempo e o seu limite.
Se você ou alguém que você conhece está passando por dificuldades emocionais, lembre-se de que não precisa carregar o peso do mundo sozinho. Procure ajuda profissional ou entre em contato com redes de apoio como o CVV (Centro de Valorização da Vida) pelo telefone 188 no Brasil.
Obrigada por confiar em mim para contar esta história.
Com carinho,
Layane P. Santos
“Descobri que era amor quando o abraço demorou demais para terminar e quando terminou, eu quis fechar com chave de ouro lhe dando um beijo calmo e caloroso, e para finalizar busquei os seus olhos antes da despedida.”
— De: Abby, para: Gus.
Prólogo
Cape Cod, alguns anos antes,
O sol de agosto estava se pondo, tingindo o céu de um laranja tão vibrante que parecia competir com o cabelo de Abby. Eles tinham sete anos, os joelhos ralados e as mãos sujas de areia e sal. Para Gus, aquele era o único lugar do mundo onde o sobrenome Beaumont não parecia um uniforme apertado. Ali, entre as dunas e o som do Atlântico, ele era apenas o Gus.
— Você não vai esquecer, né? — Abby perguntou, sentada na areia com as pernas cruzadas. Ela segurava uma concha perfeita, branca e reluzente. — Mesmo quando a gente voltar para a escola e você tiver que usar aqueles sapatos lustrados que seu pai gosta?
Gus olhou para ela e soltou uma risada genuína, o tipo de som que, anos depois, se tornaria raro em sua vida. Ele esticou a mão e puxou uma das mechas ruivas dela, ganhando um empurrão de volta.
— Eu nunca esqueço de nada, Cenourinha — ele respondeu, usando o apelido que ela fingia odiar, mas que sempre a fazia sorrir. — Promessa de dedinho?
Eles entrelaçaram os dedos mindinhos, um pacto selado sob a luz do crepúsculo. Naquele momento, a amizade deles era a coisa mais sólida que Gus possuía.
— Amigos para sempre — Abby sussurrou, encostando a cabeça no ombro dele. — Sem mentiras.
— Para sempre — ele confirmou.
Mas, ao longe, a voz de Robert Beaumont ecoou da varanda da mansão, chamando o filho para se lavar para o jantar com os sócios. Gus sentiu o corpo enrijecer instantaneamente. Ele se levantou, limpando a areia dos joelhos com uma pressa que não pertencia a uma criança de sete anos. O brilho nos seus olhos azuis foi substituído por uma vigilância cautelosa.
Diziam que os Beaumont não dobravam; eles apenas brilhavam sob pressão. Desde cedo, Gus aprendera que um vinco na camisa era um erro e uma falha no sorriso era uma traição à linhagem. Ele cresceu em uma casa de espelhos, onde a imagem era mais importante que o homem.
Abby continuou sentada na areia, observando-o se afastar em direção à luz fria e branca da varanda. Ela ainda era a menina de cores quentes e promessas simples. Gus, no entanto, já estava entrando no reflexo. O que nenhum dos dois sabia, naquele entardecer dourado, é que o vidro, por mais caro que seja, tem um ponto de ruptura. E, quando ele finalmente quebra, não há dinheiro no mundo que impeça os estilhaços de cortarem a pele — e destruírem as promessas feitas na areia.







