Rafaela
Acordei com uma leve dor de cabeça no quarto silencioso do hospital. O ar-condicionado mantinha a temperatura baixa demais, e o cheiro de antisséptico era forte. Uma médica estava ao meu lado, ajustando o soro preso ao meu braço. Ela me observava com atenção, séria, profissional.
— Vou chamar sua mãe — disse, em tom calmo.
Assenti com a cabeça. Eu não tinha forças para falar.
Alguns minutos depois, a porta se abriu e Maya entrou. Seu rosto estava fechado, mas não havia raiva ali. Havia preocupação. Ela se aproximou devagar e se sentou na cadeira ao meu lado, apoiando a bolsa no colo.
Ficamos alguns segundos em silêncio, nos encarando.
Maya:
— Precisamos conversar. É um assunto sério.
Meu coração acelerou.
Rafaela:
— O que aconteceu?
Ela respirou fundo antes de responder.
Maya:
— Você está grávida daquele homem.
O mundo pareceu parar.
Rafaela:
— O quê…?
Maya:
— Rafaela, eu te avisei. Mais de uma vez.
— Mas não vou repetir discursos agora. Essa criança é o me