Capítulo 05

Vicktória Quinn

Lena, Riff e Rainer já desceram, então Peter sai e estende a mão para mim, seguro-a, e com cuidado coloco meu pé para fora, assim que estou na vertical ao seu lado, um brilho de Flash praticamente me cega.

Oh! merda. Ele é Peter Snow, é claro que a mídia o cerca.

Sem soltar minha mão, ele nos guia até os irmãos que já estão mais à frente, sem nem olhar para os lados seguimos para a entrada, onde um homem forte libera as correntes e adentramos o ambiente sem demora.

Rainer segue na frente conduzido por uma garçonete que nos leva a uma mesa mais reservada, mas que não fica tão longe da pista de dança.

A música está tocando alta e já tem muita gente dançando. Sentamo-nos e após pedirmos e tomarmos nossas bebidas, Lena se levanta me chamando.

— Vem Vick, vamos dançar.

Raiff já está na pista e Rainer nos acompanha, ficando apenas Peter na mesa.

Acompanho Lena e tento me lembrar de como fazíamos quando ficávamos feitos loucas dançando em casa. A batida da música ajuda e quando penso que não, estou me mexendo no mesmo ritmo, sorrio com o feito.

Fecho meus olhos tentando me concentrar apenas na batida eletrizante que domina meu corpo, esquecendo a vergonha deixo me levar adorando a sensação de poder e liberdade que a música me traz.

— Isso aí Vick! — Ouço o grito de Lena, sorrindo continuo minha dança. Vezes ou outra abro meus olhos e noto que muitos homens se aproximaram de nós, mas meu foco é para a mesa onde Peter ficou, e de onde ele nos olhava, até que vejo que ele não está mais lá. Fico me perguntando onde ele possa ter ido. Será que está dançando com alguém?

Dancei com Raiff e Rainer que se mantêm por perto cercando Lena, não vejo Peter, mas posso sentir que ele está por perto. Não me pergunte como, mas eu sinto.

Continuo dançando com Lena já que Rainer está atracado em uma loira dançando e o Raiff disse ir pegar uma bebida quando sinto uma mão quente tocar minha cintura, fecho meus olhos e sigo o ritmo da música gostando da sensação daquele corpo forte e quente que segue o mesmo ritmo do meu, até que sinto sua respiração em meu pescoço e sua voz em meu ouvido:

— Você não deveria dançar assim. Não deveria brincar com fogo, pois pode se machucar.

Peter!

Ele gira meu corpo, e logo estamos de frente um para o outro, não sei como sigo seu ritmo na pista de dança, me sinto uma dançarina profissional. Seu jeito de conduzir me excita e me deixa sexy.

Seguro seus braços fortes enquanto suas duas mãos estão em minha cintura, dançamos com nossos olhos conectados, como se estivéssemos só nós dois ali e mais ninguém.

— Vicktória… O que faço com você menina?!

Não sei o que falar, só engulo em seco.

Ele me gira novamente, deixando-me de costas para ele, colada ao seu corpo, posso sentir o quanto ele está excitado.

— Você está me matando desde quando saiu daquele quarto. — Sua mão desce e sobe em minha coxa mantendo meu vestido no lugar, já nem sei mais o que estou sentindo.

— Peter!

— Estou aqui baby, mas você não deveria me querer ao seu lado! O problema é que não consigo ficar longe de você, essa atração que sinto… você é como um ímã que me puxa e mesmo tentando não consigo resistir a essa atração sem limites.

O meu Deus! Do que ele está falando?!

Minha boca está seca, estou suada, quente e agora também estou excitada. Efeito Peter Snow.

— Vem, tomaremos algo, antes que eu faça algo que não possamos voltar atrás.

Fazer o quê? O que ele quer fazer comigo? Dá uma vontade de dizer que ele pode fazer o que quiser, mas ainda não bebi o suficiente para ter tamanha coragem.

Voltamos para a mesa onde Raiff está com uma morena ao seu lado.

— Onde está Lena, Raiff? — Pergunta Peter e ele aponta para a pista de dança.

Olho e vejo Lena dançando com um rapaz e Peter praticamente rosna ao meu lado, mas senta-se e me puxa para seu lado me entregando uma cerveja.

— Three Philosophers, a melhor cerveja do mundo. — Peter fala para mim e posso dizer que nunca experimentei uma igual. Não que eu seja uma conhecedora em cerveja, mas que essa é boa, há isso é!

— Realmente o sabor é diferente. — Rapidinho termino o copo que ele me deu e o vejo sorrir.

— Vejo que terei que ser o juízo da noite. Vamos devagar, tome uma água, assim a cerveja não irá te pegar tão rápido.

— Meu Deus!

Nós nos assustamos quando a morena de Raiff praticamente grita com seus olhos esbugalhados para Peter.

— Você é o Peter Snow! Nossa você é ainda mais lindo pessoalmente. Acompanho todas as notícias sobre você…

— Não acredite em tudo que ler e ver.

— Você é o solteiro mais cobiçado de Nova York. Eu até mandei um currículo meu para sua empresa.

Peter arqueia uma sobrancelha e Raiff está olhando de cara feia para sua acompanhante.

— Qual sua especialidade? — Pergunta Peter e eu nem preciso perguntar para saber. A especialidade dela é “dar o golpe”. A mulher tem cara e jeito de impostora de golpista. Uma Maria gasolina assumida.

— Estudei 6 meses na Stanford.

— Seis meses!

— Sim. Eu…

Ele vira-se para mim.

— Vamos dançar baby?

— Claro.

Baby! Já é a segunda vez que ele me chama assim. Sorrio para o mesmo e confirmo com a cabeça já me levantando. Voltamos para a pista de dança e nessa hora a música muda para um ritmo mais sexy. Peter sorri me puxando mais ainda para seu corpo.

— É só seguir meu comando baby.

As batidas de The Weeknd - Earned It nos faz girar pela pista e quando vejo estou dançando sozinha com Peter enquanto as pessoas nos assistem à nossa volta.

Peter segura minha cintura e a minha coxa, me fazendo jogar a cabeça para trás segurando em seu braço. Nunca me senti tão sexy.

Dançamos como se só estivéssemos nós dois ali e quando a música termina ficamos parados com os narizes colados e o coração acelerado, até que saímos do nosso transe quando uma Lena muito animada chega ao nosso lado.

— Vocês arrasaram. Maninho será que você pode deixar algo para que eu seja a melhor na família?! E Vick, você estava esplêndida.

— Acho que está na hora de irmos Lena.

— A não Peter. A festa está ótima.

— Na verdade, eu estou cansada Lena.

O que é verdade, mas também quero ir embora antes que faça algo que possa me arrepender. Não que eu vá me arrepender se acabar beijando o Peter, mas não quero confundir as coisas e estragar minha amizade com a Lena e nem com nenhum dos seus irmãos caso isso aconteça. Eu posso muito bem está vendo coisas onde não tem, posso está projetando em minha mente aquilo que eu gostaria que fosse verdade, afinal, esse é Peter Snow, quem em sã consciência não se pegaria imaginando como seria a doçura daqueles lábios, já eu… bem, eu não sou ninguém. E, se eu acabar confundindo tudo, as coisas vão ficar uma merda só.

— Mas Vick, eu te trouxe aqui para nos divertir e quem sabe você achar um gatinho que te faça finalmente…

— Lena!

Ela não falará da minha virgindade para os irmãos.

— O que Vick? Você precisa dar esse próximo passo, Vicktória.

Meu Deus! Preciso de um buraco para me enfiar.

— Precisamos mesmo ir Lena, e pare de constranger a Vicktória. Você às vezes não tem filtro.

— Você que é antiquado Peter.

— Ah! Irmã, tem coisas que é melhor você não saber. Melhor pensar assim.

Ele fala baixo e acho que ela não ouviu, mas fiquei curiosa para saber que coisas são essas.

Peter se adianta à nossa frente, fico um pouco para trás com Lena. Ainda estamos perto da pista de dança e a música segue alta, as pessoas continuam dançando, quando sinto uma mão em minha bunda e um corpo próximo ao meu.

Sem pensar duas vezes seguro a mão invasora e desconhecida virando seus dedos para trás girando em meus saltos e dando graças pela enorme fenda em meu vestido que facilita tudo quando subo meu joelho de encontro a virilha do idiota que veio me alisar, esmagando as joias da família, fazendo-o urrar de dor e se encolher no chão.

— VAI PASSAR A MÃO NA BUNDA DA SUA MÃE.

Grito para o idiota que pede desculpa ainda no chão e as pessoas ficam abismadas me olhando até que outro rapaz vem em minha direção e já vejo problemas.

Merda! Só o que faltava era esse outro vir tomar as dores do amigo. Preparo-me para o que está por vir quando o rapaz para a alguns passos me olhando assustado e então sinto, mais do que vejo o motivo da sua desistência ao virar-me para trás, observo um Peter raivoso, que está quase colado a mim, em toda sua magnitude, no que parece estar ainda mais alto, olhando ferozmente para o indivíduo à minha frente, trincando os dentes e cerrando punhos.

— Toque nela mais uma vez e garanto que não terá médico que remende seus ossos.

Suas palavras saem duras e altas o suficiente para que todos ouçam. Nunca pensei em vê-lo tão bravo.

Ele olha para Lena e ainda bravo fala: — Eu disse que está na hora de irmos.

— Está bem! Eu não prevejo o tempo, o bruxo aqui é você. Caralho Vick, pelo visto você continua lutando.

Não digo nada! apenas sigo o senhor ranzinza que segura a minha mão, segue me puxando para pegar meu casaco e minha bolsa ajudando a me vestir, mas sem dizer nenhuma palavra.

Será que ele está com raiva porque causei confusão? Ele não precisava ter ido me defender, eu mesma teria resolvido.

Rainer se junta a gente ainda segurando a mão da loira parando bem ao nosso lado.

— O que aconteceu?

— Estamos indo Rainer. Você volta conosco ou fica?

Peter está mesmo com raiva, tento tirar minha mão da dele e parece enfurece-lo ainda mais, então resolvo ficar quieta.

— Tenho planos, irmão. Vejo vocês amanhã no almoço.

Raiff já está na nossa frente e vejo que não está com a morena que fez seis meses em Stanford.

No carro seguimos calados para casa e estou começando a me sentir mal. Peter está de olhos fechados com a cabeça jogada para trás ainda com as mãos fechadas e não sei o que fazer para mudar essa situação. Até Lena está calada, estou pensando seriamente em pegar minhas malas e voltar para Chicago. Eu bem que não queria ir a essa festa, sabia estar boa demais para ser verdade. O carro para e todos nos preparamos para descer quando Peter segura minha mão.

O que foi? Será que ele pedirá para eu vá embora?

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