O silêncio que reinava na biblioteca do casarão dos Albuquerque, em Higienópolis, era o mesmo silêncio estéril que costumava ditar o ritmo daquela casa: pesado, imponente e cortado apenas pelo tique-taque aristocrático de um relógio de carrilhão inglês do século XIX. Mas debaixo daquela fina camada de mármore e madeira de lei, a temperatura beirava o ponto de ebulição.
Sentada em sua habitual poltrona de brocado francês, a matriarca da família, dona Sophia Albuquerque, mantinha a coluna perfeit