Sentaram-se um de frente para o outro no balcão onde ficava a máquina de café. Em silêncio, cada um com sua xícara. Owen partiu um biscoito entre os dedos e provou apenas um pedaço; não estava com fome, mas também não queria parecer descortês.
Anna podia sentir, o dor que emanava dele como um perfume.
Era a derrota que o ativava, a frustração, as lembranças.
— Você estuda a mesma coisa que a Lali? — perguntou de repente.
— Não, estudo licenciatura.
— Ah! Quer ensinar.
— Sim, eu gostaria…
Dela também vinha uma energia estranha, como uma aura de cansaço. Achou aquilo peculiar; a observava e via apenas uma moça que parecia se esforçar demais para viver. “Vai largar a universidade”, foi uma das desculpas que Lali usou para convencê-lo. O quanto ela tinha que batalhar com a vida para estar daquele jeito?
Anna podia sentir o peso que Owen carregava, uma espécie de sombra que parecia envolvê-lo e que ela, de alguma forma, conseguia ver refletida em seus olhos cansados. O quanto sua ex-esposa