Lorenzo Castellani
O silêncio dentro do carro era quase ensurdecedor.
A cidade fervia lá fora - buzinas, vozes, vida -, mas dentro de mim tudo era um grande vazio. O trânsito seguia lento, o sol de fim de tarde cortava os prédios e se espalhava pelo vidro dianteiro como uma despedida. E eu sabia que, de certo modo, era mesmo uma despedida.
Não da forma que eu gostaria.
Segurei firme o volante e olhei para o prédio onde Zara morava. Aquele edifício, antes cheio de lembranças doces, agora parecia