Capítulo 04: A Festa de Faculdade

A sexta-feira à noite tinha chegado e o campus parecia pegar fogo. O galpão universitário onde acontecia a festa da atlética estava lotado, pulsando ao som de um funk alto que fazia o chão de concreto vibrar sob os meus pés. As luzes de neon em tons de roxo e vermelho cortavam a fumaça no ar, criando uma atmosfera quente e despretensiosa.

Eu vestia uma saia jeans preta justa e um cropped vermelho de decote profundo, com o cabelo solto caindo em ondas pelas costas. Tinha ido com as minhas amigas para dançar, beber um pouco e esquecer a semana cansativa e, principalmente, para tirar certo garoto tatuado da minha cabeça.

Um plano que durou exatamente vinte minutos.

Estava no balcão improvisado do bar, esperando meu copo de vodka com energético, quando o vi do outro lado da pista. Daniel estava encostado em uma das colunas de sustentação, cercado por um grupo do time de futebol da faculdade. Ele vestia uma camisa preta de botões com os primeiros botões abertos, revelando o início do peitoral e o colar de corrente prateada. O copo vermelho na mão dele balançava no ritmo da música enquanto ele ria de algo que um amigo dizia.

Lindo de um jeito irritante.

Tentei desviar o olhar, mas foi exatamente nesse momento que uma garota loira, de vestido curto prateado, se aproximou dele. Ela disse algo no ouvido de Daniel, tocando o braço tatuado dele com uma intimidade que me fez travar onde eu estava. Ele se inclinou para escutar, soltando um sorriso de canto que eu conhecia muito bem. A garota jogou o cabelo para trás e passou a mão pelo peitoral dele.

Uma onda repentina de calor subiu pelo meu pescoço, mas não tinha nada a ver com o álcool. Era raiva pura. Um nó amargo deu um nó no meu estômago, e meus dedos apertaram o balcão de madeira com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos.

Ciúmes? De jeito nenhum. Era só odeio ver garoto exibido se achando o rei da festa, tentei mentir para mim mesma.

Peguei meu drink assim que o barman o entregou e dei uma golada funda, me virando de costas para não assistir ao show. Um cara do curso de Engenharia, que já tinha tentado puxar assunto comigo mais cedo, aproveitou a oportunidade para se aproximar.

— E aí, Ly? Tá sozinha? — perguntou, se encostando no balcão do meu lado e sorrindo.

— Só esperando minhas amigas — respondi, tentando parecer simpática, embora minha cabeça ainda estivesse pegando fogo.

— Quer dançar um pouco? A pista tá boa — convidou, dando um passo a mais e tocando levemente a minha cintura.

Antes que eu pudesse responder ou afastar a mão dele, uma sombra alta projetou-se sobre nós dois. Um braço pesado e quente envolveu meus ombros com autoridade, me puxando para junto de um peito firme.

— Ela já tá acompanhada, parceiro — a voz grave e inconfundível do Daniel cortou o barulho da música.

O cara da Engenharia olhou para o Daniel, medindo a altura dele, os braços tatuados e a expressão nada amigável no rosto do amigo do meu irmão.

— Ah... de boa, irmão. Não sabia — o cara murmurou, levantando as mãos em sinal de paz e se perdendo rapidamente na multidão.

Assim que o cara sumiu, empurrei o peito de Daniel com força, me soltando do abraço dele.

— Ficou maluco, garoto? Quem te deu o direito de espantar os caras que vêm falar comigo? — esbravejei, encarando-o de baixo para cima.

Daniel deu um gole no próprio copo, mantendo a postura ereta e relaxada. Os olhos claros dele brilhavam sob as luzes vermelhas da festa, e a loira de vestido prateado nem estava mais por perto.

— Prometi pro Matheus que ia ficar de olho em você. Não vou deixar qualquer tonto encostar a mão na irmã do meu brother — disse, com aquele tom calmo que só me irritava mais.

— Ah, me poupe, Daniel! "Irmã do meu brother"? Essa é a sua desculpa? — dei um passo na direção dele, a audácia e a raiva tomando conta. — E a loirinha lá? Cansou de dar atenção ou ela só não era interessante o suficiente?

Daniel parou por um segundo. Um sorriso lento e perigoso começou a se desenhar nos lábios dele. Ele deu um passo à frente, me prensando suavemente contra o balcão atrás de mim, eliminando quase todo o espaço entre nós.

— Espera aí... — sussurrou, a voz caindo para aquele tom rouco que fazia meu corpo inteiro entrar em alerta. — Você tava me vigiando, chatinha?

— Eu? Vigiando você? Não viaja, garoto! — menti na cara dura, embora meu coração estivesse batendo no ritmo acelerado da música.

— Tava sim — ele se inclinou um pouco mais, o hálito quente com cheiro de bebida roçando a curva do meu pescoço. A mão dele subiu lentamente pela minha cintura, os dedos longos se fixando no tecido da minha saia. — Ficou com ciúmes da menina, Ly?

— Nunca na minha vida que eu ia ter ciúmes de você — rebati, sustentando o olhar dele, recusando-me a fraquejar mesmo quando o polegar dele começou a fazer círculos lentos na minha pele exposta na lateral da cintura.

— Não é o que parece. — ele provocou, encarando minha boca — Mas pode relaxar. Eu dispensei ela.

Minha respiração falhou.

— Dispensou? Por quê? — perguntei antes de conseguir me conter.

Daniel aproximou os lábios da minha orelha, a boca quente roçando a minha pele sensível enquanto sussurrava, fazendo cada pelo do meu corpo se arrepiar de uma vez só:

— Porque nenhuma garota nessa festa tá usando esse cropped vermelho... e nenhuma delas me deixa com metade da vontade que tenho de te dar uma lição por ser tão debochada.

Segurei o ar. Minhas mãos foram direto para os ombros largos dele, a intenção inicial de empurrá-lo se perdendo completamente no calor da pele dele sob a camisa. Ele não se moveu. Ficou ali, me encarando com aqueles olhos escuros de desejo, dominando completamente meu espaço pelo resto da noite e deixando bem claro que, naquela festa, nenhum outro cara chegaria perto de mim.

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