Já fazia mais de três horas que os médicos haviam saído do meu quarto. O silêncio era perturbador, porque parecia que as vozes na minha cabeça estavam dez vezes mais altas. O remédio para o aborto estava em minhas mãos; não sei por quê, mas não conseguia levá-lo à boca. Por mais motivos que eu tivesse para interromper, ainda assim não conseguia.
Tem o câncer, tem a prisão e o fato de esse bebê crescer sem a mãe. E, o pior: se eu sobreviver, esse bebê vai me ter como mãe... Não posso levar essa