Capítulo 2

" Um escape da rotina"

Giovanni Moretti

​Assumi o comando da empresa há dez anos, quando meu pai se aposentou. Na época, aos vinte e cinco anos, muitos no conselho apostaram no meu fracasso. Tolos. Eu me preparei para este legado a vida toda.

​Minha infância foi moldada entre as plantas de arquitetura nos escritórios do meu pai aos sábados de manhã. Hoje, sou mestre em Arquitetura e Administração, dedicando cada minuto do meu tempo a este império. Sou um perfeccionista incurável; acredito que, para exigir o melhor de uma equipe, eu mesmo devo ser o exemplo supremo de excelência. Por isso, faço questão de revisar pessoalmente os currículos de cada nova contratação, especialmente agora que estamos expandindo. Recentemente, projetei e acompanhei a construção de novos andares para nossa sede. Nada me escapa.

​Hoje, um currículo vindo do Brasil chamou minha atenção. Liara Ferraz. Sua trajetória é impecável: primeira da turma, destaque na prestigiada Milênio Arquitetura e responsável por carteiras de clientes que profissionais veteranos cobiçariam. Mesmo após uma promoção recente no Brasil, ela demonstrou uma ousadia que aprecio ao decidir largar tudo para tentar a carreira na Itália.

​Senti o cheiro de talento à distância. O portfólio dela, acompanhado por uma recomendação direta de sua ex-chefe, não me deixou dúvidas. Eu a contratei imediatamente para ser minha nova arquiteta paisagista. Dei-lhe uma semana para se mudar. Pedi que minha assistente a auxiliasse com a moradia temporária. Liara chega hoje à cidade e começa na segunda-feira. Pelo que percebi, é uma mulher organizada e focada.

​Meu telefone pessoal interrompeu meus pensamentos. Atendi no segundo toque.

​— Olá, mamma, como vai?

​— Gio, querido, estou com saudades — a voz dela soou carregada de afeto e uma leve cobrança. — Você trabalha tanto que esquece da família. Exijo sua presença no almoço de domingo. Não aceito "não" como resposta.

​— Me perdoe, mamma. Sei que ando ausente, mas a expansão da empresa tem consumido minhas horas. Estarei lá, com certeza. Também sinto saudades.

​Ao desligar, olhei para o relógio. 22h30. Meu vício pelo trabalho estava atingindo níveis críticos; eu ainda não havia jantado e continuava em minha mesa. Às vezes, penso que deveria construir um quarto na empresa para facilitar as coisas. Recolhi minha pasta e desci para a garagem. O rugido do motor da minha Lamborghini Aventador preta é o único som que consegue me desligar do escritório por alguns instantes. Sou obcecado por velocidade e luxo; eles são o reflexo do meu sucesso.

​Cheguei em casa, tomei um banho rápido e decidi que precisava de uma distração. O trabalho excessivo pede uma válvula de escape, e minha válvula sempre envolve uma mulher e nenhuma promessa. Dirigi até a boate do meu primo, Antonni Moretti.

​Na área VIP, o cenário é sempre favorável. As mulheres que frequentam aquele espaço buscam o mesmo que eu: prazer imediato e sem complicações. Elas não esperam flores no dia seguinte ou ligações apaixonadas. Esse é o meu tipo favorito. Não tenho tempo para romances; sou casado com meu trabalho.

​Pedi um Bourbon 18 anos no bar e comecei a escanear o ambiente. Gosto da caçada. O processo de escolher a "presa" e seduzi-la faz parte do meu ritual de poder. No entanto, hoje o cansaço falava mais alto. Quando uma loira atraente se aproximou com um sorriso audacioso, decidi abrir uma exceção e ser a caça.

​— Muito prazer, eu sou Alana — disse ela, com um olhar que não deixava dúvidas sobre suas intenções.

​— Giovanni — respondi, estendendo a mão e analisando suas curvas. — Quer uma bebida?

​Ela aceitou uma taça de vinho. Mantive a conversa no campo da impessoalidade. Não compartilho detalhes da minha vida, números de telefone ou nomes de familiares com quem não pretendo manter contato. Sou um estranho que oferece uma noite inesquecível, nada mais.

​— Você está em busca de sexo casual, loirinha? — perguntei, sendo direto. Detesto perder tempo com sutilezas se os objetivos não forem os mesmos.

​— Direto você, não é? — ela sorriu, desafiadora.

​— Sou objetivo. Quer ir para um hotel ou para sua casa?

​— Por que não na sua?

​— Não levo mulheres para minha casa e não durmo acompanhado. Vou embora assim que terminarmos. Garanto-lhe o melhor sexo da sua vida, mas sem segundo encontro. Prefiro a honestidade.

​Ela aceitou os termos. No quarto do hotel, a urgência tomou conta. Eu a prensei contra a parede antes mesmo de chegarmos à cama. Levantei seu vestido, sentindo sua pele quente sob meus dedos, enquanto trilhava beijos pelo seu pescoço e clavícula. Evito beijos na boca; para mim, o beijo é íntimo demais para um encontro fortuito. Há outras formas de usar os lábios que me dão muito mais satisfação.

​A noite foi muito prazerosa. Nada melhor para relaxar um homem do que a boca quente e aveludada de uma mulher ao redor do pau. Transamos por horas, porém fui cuidadoso com a proteção, não pretendo espalhar herdeiros pelo mundo nem arriscar minha saúde por um momento de distração. Horas depois, satisfeito, decidi encerrar a noite.

​— A noite foi ótima, loirinha. Obrigado.

​Eu já não lembrava o nome dela. Tomei um banho, deixei o hotel pago para o restante do fim de semana e fui embora. Só assim consigo relaxar o suficiente para dormir.

​No sábado, o trabalho me chamou novamente. Dediquei o dia a um projeto exclusivo para um cliente exigente. No domingo, o almoço em família foi agradável, apesar das insistentes indiretas da minha mãe sobre netos e casamento. Ela não entende que o modelo de vida tradicional não me serve. Com tantas mulheres dispostas a dividir minha cama sem cobrar fidelidade, por que eu me prenderia a uma só?

​Segunda-feira chegou cedo. Entrei na empresa e Gabriela, minha assistente e amiga de infância, já me esperava com um cappuccino perfeito.

​— Bom dia, Gio. Sua agenda está pronta e Liara Ferraz já chegou — disse Gabi, eficiente como sempre. — Ela é simpática, já se instalou em uma kitnet e parece muito animada.

​— Ótimo. Mande-a entrar.

​— Ela já está te esperando na sala de reuniões anexa.

​Ajustei meu paletó e segui para o encontro. Era hora de ver se o talento de Liara era tão grande quanto sua ousadia.

Eu só não estava preparado para a atração irresistível que ela me causou de imediato...

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