Capítulo 207 Dor e Solidão
O sorvete de chocolate com menta já derretia na tigela de plástico, se transformando numa pasta cremosa e pegajosa que eu pegava com a colher sem ânimo. O sofá de dois lugares rangia sob meu peso, a mola central afundando exatamente onde minha coluna se curvava, como se a mobília também estivesse exausta da minha presença.
O vento se infiltrava pela janela alta, mas, naquela noite, o ar estava pesado com algo muito mais denso: humilhação. Lágrimas quentes e silencios