Felipe
Parte 2 — O Custo do Silêncio
O café na minha frente estava intocável.
Esfriando na mesma medida em que o meu sangue gelava — devagar, progressivamente, num processo que eu sentia no corpo inteiro mas não conseguia deter.
Eu ouvia a voz do Diogo. Cada palavra. Mas cada uma delas parecia um prego sendo martelado na minha consciência com uma precisão que era quase cirúrgica.
A irmã que ele havia perdido aos dez anos. A dor da dona Lídia. O medo de "falhar com a linhagem".
Socos no estômago