Anna
O elevador subiu em silêncio, o mesmo silêncio denso e carregado que nos acompanhava desde que saímos da casa de Elisa. Leornado carregava a pequena caixa de papelão com as fotos antigas e o porta-joias de sua mãe, segurando-a com as duas mãos como se temesse que o conteúdo se desfizesse ao menor movimento. Eu carregava apenas minha bolsa, mas sentia um peso invisível pressionando os ombros: as imagens da casa parada no tempo, o cheiro de naftalina misturado a poeira, as fotos emolduradas