Ao me ver, ele se levantou. Ficou em silêncio por um momento antes de abrir a boca.
— Os pais da Eunice vão morar na nossa casa por um tempo.
— Seus pais não estão prestes a ir embora? Então pedi para alguém tirar as coisas deles daqui com antecedência.
Inclinei os lábios, formando um sorriso carregado de sarcasmo.
— Gustavo, eu nunca tinha percebido antes. Você é realmente um genro maravilhoso.
Em seguida, ignorei os três olhares desconfiados direcionados a mim na sala de estar. Caminhei sozinha de volta para o meu quarto.
Gustavo me seguiu até lá. Ele tentou me acalmar da mesma forma de sempre.
— Wilma, não fique brava. Eu já reservei um hotel cinco estrelas para os seus pais. Mais tarde, pego o carro e levo a bagagem deles para lá. A família da Eunice é nossa convidada, afinal de contas, então precisamos manter a educação.
Não disse uma única palavra e continuei a arrumar as minhas coisas.
Gustavo se aproximou e começou a me ajudar a dobrar as roupas.
— Wilma, sinto que você tem estado muito distante de mim ultimamente. A Eunice já garantiu a vaga no mestrado agora. Se isso te incomoda tanto, prometo reduzir meu contato com ela no futuro, tudo bem?
Como se estivesse exibindo um tesouro, ele tirou um colar da gaveta.
— Olha só, é aquele colar que estava no seu carrinho de compras há séculos. Comprei para você como um pedido de desculpas.
— Além disso, nesses últimos dias, já negociei o local da nossa festa de noivado e enviei os convites para os convidados.
— Amanhã, a única coisa que você precisa fazer é aparecer lá maravilhosa.
Fiquei paralisada. Virei-me para ele e perguntei imediatamente.
— Você já fechou tudo? Quando isso aconteceu e por que não discutiu nada comigo?
O tom de voz dele refletia uma indiferença absurda.
— Eu vi que você estava muito ocupada. Imaginei que as garotas devessem gostar das mesmas coisas, então pedi a opinião da Eunice como referência.
Repeti as últimas palavras dele de forma bem arrastada.
— Pediu a opinião da Eunice?
— Então, desde visitar os locais, decidir o estilo, escolher a comida até convidar as pessoas... Tudo isso foi feito por vocês dois?
— Gustavo, você não acha que isso é uma grande piada?
Uma expressão de descontentamento surgiu no rosto dele por puro hábito. No entanto, ele se forçou a engolir a irritação.
— Wilma, eu não quero brigar por causa disso. Eu te prometo que é você quem eu amo e meus sentimentos nunca vão mudar. Pode ser assim?
Ele segurou o colar e abriu um sorriso, estendendo as mãos para colocá-lo no meu pescoço.
— Wilma, vamos parar de fazer birra, por favor.
— Não conseguir dormir abraçado com você à noite tem me dado insônia. Se isso foi um castigo, acho que já sofri o suficiente, não é?
Dei alguns passos para trás, evitando o movimento de suas mãos.
O sorriso no rosto de Gustavo desapareceu aos poucos.
Eu o encarei por alguns segundos antes de falar.
— Lembre-se de me enviar o endereço da festa de noivado.
Assim que terminei de falar, Gustavo abriu um sorriso cheio de confiança novamente.
— Wilma, eu sabia que você ainda queria se casar comigo. Por mais que faça drama, não tem coragem de me abandonar.
Em seguida, o olhar dele percorreu a minha mala. Seu humor parecia excelente.
— Tudo bem, agora posso ficar tranquilo. Você já não precisa mais brincar de se fazer de difícil.
— Você já arrumou as malas tantas vezes, mas quando foi que realmente saiu de casa?
— Além disso, aqui fica a mais de três mil quilômetros da sua cidade natal. Mesmo fazendo birra, você não conseguiria voltar para lá.
Passei direto por Gustavo, arrastando a minha mala em direção à saída.
Ele se apoiou no batente da porta, sem demonstrar o menor pânico, e me observou com um sorriso.
— Depois de terminar a sua birra esta noite, lembre-se de chegar pontualmente à nossa festa de noivado amanhã!
Sorri, olhei por cima do ombro e respondi.
— Fique tranquilo. Com certeza vou te dar uma grande surpresa.
No dia seguinte, ajudei meus pais a carregar todas aquelas malas e sacolas para dentro do trem.
Em meio ao som de alerta do fechamento das portas, meu celular também começou a vibrar loucamente.
A terceira ligação foi encerrada automaticamente.
Quando a quarta tentativa começou a tocar, atendi de forma lenta e despreocupada.
Do outro lado da linha, ouvi a voz da mãe de Gustavo. Ela soava em pânico, completamente desesperada e com vontade de chorar.
— Wilma, onde você está? O Gustavo sofreu um acidente, venha rápido para cá...