Capítulo 3
Cheguei às pressas ao hospital. Vi minha mãe debruçada sobre uma maca no corredor, chorando silenciosamente.

Corri até lá e vi um ferimento enorme na cabeça do meu pai.

O machucado havia recebido um curativo simples, mas ainda sangrava.

— Onde está o médico? A ferida ainda está sangrando, por que não vêm salvar meu pai?

Minha mãe hesitou por um longo tempo antes de responder com a voz fraca.

— Só havia um médico no pronto-socorro e apenas um leito disponível. Gustavo pediu para ele atender outra pessoa primeiro.

Minha cabeça girou com a informação. Levantei-me furiosa.

Exatamente naquele momento, a porta do quarto atrás de mim foi aberta.

Eunice estava abraçada a Gustavo. Seus olhos estavam vermelhos e a voz soava frágil.

— Gustavo, muito obrigada. Se você não tivesse largado os pais da Wilma para vir me ver, eu realmente não saberia o que fazer.

O homem dava tapinhas nas costas dela e a consolava em voz baixa.

— Os seus pais são os meus pais. Não precisa de tanta formalidade. Pare de chorar, seus olhos já estão inchados.

Eu não consegui pensar em mais nada. Avancei e dei um tapa forte no rosto de Gustavo.

Meu corpo inteiro tremia incontrolavelmente.

— Gustavo, você disse que cuidaria bem dos meus pais. É assim que você cuida deles?

O homem atingido não teve muita reação. Em vez disso, Eunice soltou um grito agudo e correu para verificar o ferimento dele.

Ela olhou para mim, parecendo estar prestes a chorar.

— Wilma, foi a minha mãe que torceu o pé. Gustavo ficou com medo de que ela ficasse com sequelas, por isso pediu ao médico para atendê-la primeiro.

— Se quiser bater em alguém, bata em mim! Não culpe o Gustavo.

— Ele só estava muito preocupado com a minha mãe. Por isso não percebeu que a porta do carro prendeu a roupa do seu pai, o que o fez ser arrastado e se machucar.

Gustavo deu um passo à frente e protegeu Eunice atrás de si. Ele me olhou com uma expressão fria.

— Wilma, eu sei que você está desesperada. Por isso, não vou revidar esse tapa.

— Mas quando as coisas acontecem, precisamos ser racionais. Não aja como uma mulher histérica do interior fazendo barraco.

— O médico olhou a ferida do seu pai e disse que era superficial. Foi por isso que o deixei esperando do lado de fora.

— Mas o pé da mãe da Eunice não podia esperar. Se ela tivesse machucado o osso, seria um problema para a vida toda.

De repente, ouvi a voz fraca do meu pai vindo de trás. Ele me chamou.

— Wilma, não foi nada grave. Não brigue com o Gustavo por minha causa. Meu corpo é forte, não sou tão frágil assim.

Gustavo olhou para mim e suavizou o tom de voz. Ele deu dois passos à frente, tentando me abraçar.

— Viu só? Se até o seu pai disse isso, com certeza não é nada grave. Pare de fazer birra. Assim que amanhecer, vou pedir para alguém arranjar um quarto novo para ele.

Dei um passo para trás e me esquivei do toque dele.

O rosto de Gustavo se fechou na mesma hora. Eu simplesmente o ignorei.

Peguei o celular e chamei uma ambulância para transferir meu pai de hospital.

Fiquei acompanhando meus pais durante a noite inteira. No dia seguinte, voltei para casa para fazer as malas.

Ao abrir a porta, a sala estava cheia de risadas, mas o ambiente exalava um clima sufocante.

O homem que ontem jurava ter rinite agora estava servindo pimenta para os pais de Eunice. Ele sorria de forma radiante.

Além disso, ao lado da lixeira da sala, havia duas trouxas muito familiares. Eram as bolsas que meus pais haviam trazido na viagem.

Olhei fixamente para Gustavo e disparei a pergunta.

— Que história é essa?

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